Sua personalidade tinha a força estrondosa de um buraco negro, cuja potência pode irradiar-se com ousadia e intrepidez, atraindo pra si magneticamente a admiração atônita de todos, ou absorver com igual intensidade as questões mais caóticas e desafiadoras que o mundo a sua volta propôs ao seu tempo. Questões essas que ainda hoje se colocam perante o mundo, ainda hoje sem resposta, e que o devoraram, levando-o ao ponto da auto-implosão. Esta potência paradoxal é o ponto de partida para a pesquisa iniciada em 2008 e que sustenta a atualidade deste projeto.
A estrutura central da pesquisa foram os textos dos "Cadernos" que ele escreveu sob orientação psiquiátrica e que foram publicados segundo seus intuitos messiânicos, os livros “Nijinski”, de sua esposa Romula Nijinski, e “O Outsider”, de Collin Wilson; também a produção plástica do próprio Nijinksi, como também de outros artistas que o retrataram.
As mudanças que Nijinski como artista desencadeou no desenvolvimento da dança, seu caráter performático frente à dança clássica, utilizando-se inclusive do improviso em cena, deflagrando uma concepção nova do espaço, inauguraram a modernidade na dança. Com esta mesma potencialidade visionária é que ele apresenta uma concepção metafísica do homem em seus escritos e na cena. Assim, além de uma figura capital dentro da história da dança, de um bailarino insuperável e de um coreógrafo incompreendido, tratamos também de um homem genial, que anteviu as conseqüências desastrosas do processo de industrialização que vivenciamos em nosso tempo, e que trouxeram claros reflexos para o corpo e para o movimento, não apenas dentro do universo da dança ou da arte, mas da própria vida.
O foco está em sua vivência interna, na etapa introspectiva de sua vida, em que abandona a arte para afastar-se do mundo, retirando-se em Saint-Moritz para aproximar-se de Deus.
O corpo, a dança e a gestualidade, a inter-relação destes com o espaço cênico e sua topografia, são alguns dos elementos escolhidos para estabelecer um prolongamento possível das idéias de Nijinski, imagens cênicas das suas concepções de morte, medo, loucura, amor, da própria humanidade e de Deus. Retratar a sua mente - que Nijinski dizia tirar-lhe o foco do sentir, afastando-o da vida, do amor e da espiritualidade - é o que, paradoxalmente, nos permite, através das palavras e pensamentos que deixou, percorrer o caminho inverso e nos aproximar do seu ser.
As mudanças que Nijinski como artista desencadeou no desenvolvimento da dança, seu caráter performático frente à dança clássica, utilizando-se inclusive do improviso em cena, deflagrando uma concepção nova do espaço, inauguraram a modernidade na dança. Com esta mesma potencialidade visionária é que ele apresenta uma concepção metafísica do homem em seus escritos e na cena. Assim, além de uma figura capital dentro da história da dança, de um bailarino insuperável e de um coreógrafo incompreendido, tratamos também de um homem genial, que anteviu as conseqüências desastrosas do processo de industrialização que vivenciamos em nosso tempo, e que trouxeram claros reflexos para o corpo e para o movimento, não apenas dentro do universo da dança ou da arte, mas da própria vida.
O foco está em sua vivência interna, na etapa introspectiva de sua vida, em que abandona a arte para afastar-se do mundo, retirando-se em Saint-Moritz para aproximar-se de Deus.
O corpo, a dança e a gestualidade, a inter-relação destes com o espaço cênico e sua topografia, são alguns dos elementos escolhidos para estabelecer um prolongamento possível das idéias de Nijinski, imagens cênicas das suas concepções de morte, medo, loucura, amor, da própria humanidade e de Deus. Retratar a sua mente - que Nijinski dizia tirar-lhe o foco do sentir, afastando-o da vida, do amor e da espiritualidade - é o que, paradoxalmente, nos permite, através das palavras e pensamentos que deixou, percorrer o caminho inverso e nos aproximar do seu ser.
SIMBOLISMO
ResponderExcluirUm tema grandioso pode ser aquele do conflito entre dois grandes mistérios: Vida e Matéria. Pode-se visualizar a vida como estando ativamente envolvida com Peso, Espaço, Tempo e Fluência, enquanto que a matéria estaria passivamente submetida aos ditos fatores. A vida tira da Matéria o seu Peso. O primeiro impulso da Matéria, galvanizada pelo impacto da vida, é a fonte de toda as venturas e sofrimentos insuspeitos da humanidade, tal como relatados pela história e que os dramaturgos usam em sua arte. Não há um ser vivo capaz de escapar a este refletir dos movimentos fundamentais para a sua vida individual. Ser concebido ao nascer, crescer corporal e mentalmente, amadurecer e morrer- eis o fato e abrangente movimento do drama de paixão que é destino de todos nós. O meio essencial de expressão humana- o movimento corporal- acompanha, portanto, o esquema fundamental de vida e existência. Cada um dos movimentos tem seu momento de concepção e nascimento, de crescimento e envelhecimento, e finalmente, o desaparecimento no passado do nada.
É uma verdade fundamental que a aparente crueldade deste motivo primário da ação dramática é suavizada pelo sorriso que confere à Vida uma delicadeza essencial. Nós somos impelidos a rir...
...O materialista inclina-se a considerar sua própria existência e também seus esforços e movimentos como algo de pouca valia, perante este radiante e agitado universo estelar, e que ele não é mais do que uma partícula de matéria posta acidentalmente em movimento. O materialista está errado. A Vida e seu generoso sorriso recordam-nos igualmente de que a crueldade superficial da existência humana e nos torna mais cuidadosos e autoconfiantes.
Curiosamente, há uma similaridade profunda entre o processo de produção de movimentos e o de produção artística.
O uso generalizado da palavra “arte” para uma ação habilidosa da atividade humana denuncia um desejo secreto dos homens. Mas uma ação habilidosa nem sempre está relacionada aos níveis mais profundos da vida.
O virtuosismo completo é dotado de certo valor, com um tipo de excelência exterior. O nível de satisfação de um virtuose é atingido quando consegue provocar admiração o suficiente para lhe permitir extrair poderes e riquezas de tal sentimento. Ele não fica com qualquer drama de consciência porque, ao cegar as pessoas com seus dotes ofuscantes, poderá estar ocultando a importância da Vida ao invés de revelá-la.
Não chega nem a sonhar que nega o alimento espiritual pelo qual tantos anseiam.
Rudolf Laban